"Só é meu o país que trago dentro da alma. Entro nele sem passaporte, como em minha casa.
Ele vê a minha tristeza e a minha solidão. Me acalanta, me cobre com uma pedra perfumada.
Dentro de mim florescem jardins. Minhas flores são inventadas. As ruas me pertencem, mas não há casas nas ruas. As casas foram destruídas desde a minha infância. Os seus habitantes vagueiam no espaço à procura de um lar. Instalam-se em minha alma. Eis porque sorrio quando mal brilha o meu sol, ou choro como uma chuva leve na noite. Houve tempo em que eu tinha duas cabeças. Houve tempo em que essas duas caras se cobriam de um orvalho amoroso. Se fundiam como o perfume de uma rosa. Hoje em dia me parece Que até quando recuo, estou avançando para uma alta portada, atrás da qual se estendem muralhas onde dormem trovões extintos e relâmpagos partidos.
Só é meu O mundo que trago dentro da alma."
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